COI apela para que o atleta ucraniano Vladyslav, dispute a prova sem o capacete que traz imagens de esportistas mortos na guerra contra a Rússia
Vladyslav Heraskevych, do skeleton, desafia entidade após veto nos Jogos Olímpicos de Inverno
O Comitê Olímpico Internacional (COI) apelou nesta quarta-feira (11) para que o ucraniano Vladyslav Heraskevych, atleta do skeleton, dispute a prova sem o capacete proibido que traz imagens de esportistas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia, a fim de evitar uma possível desclassificação.
Na terça-feira, o COI vetou o uso do capacete em qualquer competição dos Jogos Olímpicos, alegando que o item viola as regras que proíbem manifestações políticas durante as provas. A decisão provocou críticas de políticos ucranianos.
Heraskevych, de 27 anos, que vem treinando há dias na Itália — inclusive nesta quarta — com o capacete que exibe 24 imagens de atletas ucranianos mortos, afirmou que pretende usá-lo na competição marcada para quinta-feira.
O equipamento é permitido apenas durante os treinos no centro de deslizamento de Cortina, mas não nas provas oficiais.
“Nós imploraríamos para ele: ‘Queremos que ele compita’”, afirmou o porta-voz do COI, Mark Adams, durante entrevista coletiva. “Vamos entrar em contato com o atleta hoje e reiterar as muitas, muitas oportunidades que ele tem para expressar seu luto. Queremos que ele expresse seu luto.”
Questionado pela Reuters nesta quarta-feira se a escolha era usar o capacete ou não competir, Heraskevych respondeu: “Sim”.
Regra sobre manifestações políticas
Durante os Jogos, os atletas podem se expressar livremente em entrevistas, coletivas de imprensa e redes sociais, mas não podem fazer declarações políticas no campo de competição ou nos pódios.
O COI informou a Heraskevych, na terça-feira, que ele poderia usar uma braçadeira preta como alternativa.
“Queremos que ele compita. Queremos, de verdade, que ele tenha o seu momento”, disse Adams, acrescentando que, diante de dezenas de conflitos armados ao redor do mundo, seria impossível permitir manifestações políticas nos locais de competição.
A Regra 50.2 da Carta Olímpica determina que nenhuma forma de demonstração política, religiosa ou racial pode ocorrer nos campos de jogo ou nos pódios, embora os atletas possam se manifestar livremente em outros espaços.
“É isso que os atletas querem”, afirmou Adams. “Aquele momento específico no campo de competição deve estar livre de qualquer distração. Não é a mensagem, é o local que importa.”
“Para nós e para os atletas, o campo de competição é sagrado. Essas pessoas dedicaram a vida inteira a esse momento”, acrescentou.
Adams disse ainda que o COI buscará, até quinta-feira, maneiras de convencer o atleta, inclusive com a participação de outros competidores em conversas com ele.
“É do interesse de todos que ele compita. Não digo que temos uma solução pronta para isso, mas é melhor conversar com as pessoas para tentar chegar a um entendimento”, afirmou.
Na quinta-feira (12), todos os atletas, incluindo Heraskevych, passarão por uma inspeção de material antes de entrar no canal de gelo para a competição. Caso ele insista em usar o capacete, o COI terá de retirá-lo da prova.
“Existem regras e regulamentos, e eles serão aplicados em última instância. No fim, será uma decisão do COI”, concluiu Adams.
📝 Fonte: CNN
📸 Reprodução/Internet/Google
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