Cerca de 60 mil imigrantes entram em Ceuta na Espanha em 24 horas, numero de mortos chegam a 57
O Ministério do Interior da Espanha disse que, segundo suas estimativas, cerca de 60 mil migrantes cruzaram para o enclave de Ceuta, no Norte de África, nas últimas 24 horas, enquanto corriam por mar e por terra vindos de Marrocos.
Juan Jesús Vivas, líder do governo local, afirmou a jornalistas que estimativas apontam que cerca de 60 mil pessoas cruzaram a fronteira nos últimos dias, o que representa mais da metade da população do enclave.
A travessia em massa para Ceuta, uma faixa de terra controlada pelos espanhóis que se projeta do Marrocos para o Mediterrâneo, causou divisão na Europa, com a Itália ameaçando suspender o programa de fronteiras abertas internas da União Europeia.
Nos portões de entrada do enclave espanhol, as autoridades marroquinas utilizaram caminhões com canhões de água e repeliram as pessoas. Os restos carbonizados de um ônibus e sete carros podiam ser vistos nas proximidades, resultado dos confrontos com a multidão.
As autoridades espanholas afirmaram que tentariam expulsar aqueles que entraram ilegalmente o mais rápido possível, apesar de uma decisão judicial que impôs novas restrições às regras especiais de “rejeição de fronteira” que permitem expulsões imediatas.
As cidades de Ceuta e Melilla abrigam as únicas fronteiras terrestres da União Europeia com a África. Com cerca de 85 mil habitantes cada uma, as cidades registram periodicamente picos de tentativas de travessia por parte de migrantes que buscam chegar à Europa; no entanto, a dimensão da investida ocorrida na quinta-feira (30) foi algo sem precedentes.
A Espanha descreveu a situação como a maior crise desde pelo menos 2021.
O ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, afirmou que, entre os fatores que contribuíram para o aumento das tentativas de travessia, pode ter sido uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha, no início deste mês, que impede a devolução sumária de migrantes interceptados no mar enquanto tentavam chegar a Ceuta ou Melilla, segundo regras especiais.
Migrantes invadem cidade no lado marroquino da fronteira
Torres disse a uma rádio local que o governo espanhol reagiu imediatamente ao fluxo migratório e que procederia ao retorno dos migrantes, respeitando as decisões judiciais e os direitos dos migrantes.
No lado marroquino da fronteira, milhares de migrantes invadiram a cidade de Fnideq durante a noite, apesar do reforço da segurança que frustrou a maioria das tentativas de travessia.
Embora a passagem parecesse bloqueada, grupos se deslocavam ao longo da costa em busca de rotas alternativas à cerca. Alguns se preparavam para nadar.
“Cheguei atrasado”, disse Brahim, de 32 anos, que se identificou apenas pelo primeiro nome. Ele contou que havia chegado de Tânger na esperança de atravessar pelo portão, mas o encontrou praticamente fechado.
Entre os que tentavam atravessar, havia mulheres e crianças, tanto do Marrocos quanto de países da África Subsaariana mais ao sul.
Em uma publicação na rede social X, a associação da Guarda Civil espanhola, AUGC, afirmou que havia poucos policiais no local para monitorar a cerca durante o fluxo migratório de quinta-feira (30), o que os impediu de impedi-lo.
“As políticas migratórias exigem uma revisão profunda que leve em conta a realidade da fronteira sul e garanta o respeito à dignidade e aos direitos humanos dos migrantes e refugiados que chegam a Ceuta”, afirmou um comunicado conjunto de diversos grupos locais de apoio a migrantes, acrescentando que os recursos em Ceuta são insuficientes.
Crise migratória na Europa
A migração é uma questão sensível em toda a Europa, onde partidos de direita ganharam força na década que se seguiu à crise de 2015, quando mais de um milhão de pessoas atravessaram o continente, principalmente a pé, em busca de asilo, a maioria fugindo da guerra na Síria.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que seu país está preparado “para intervir com medidas extraordinárias para defender as fronteiras e a segurança dos cidadãos, incluindo a suspensão do Espaço Schengen com a Espanha”, referindo-se à zona de livre circulação interna da União Europeia.
Embora o governo socialista da Espanha afirme manter-se firme em relação às travessias ilegais, alega que os imigrantes contribuem para o fortalecimento da economia e ofereceu uma anistia em massa que permitiu a centenas de milhares de pessoas solicitarem a cidadania no último ano.
“As imagens vindas de Ceuta mostram como a decisão do governo de Madri de conceder cidadania espanhola, e consequentemente europeia, a mais de 500 mil imigrantes irregulares é profundamente equivocada e incentiva o tráfico de pessoas”, escreveu o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, respondeu que a mensagem de Tajani era “inapropriada” e afirmou que a Espanha esperava “solidariedade e não demagogia partidária” de seu parceiro. Acrescentou que convocaria o embaixador italiano para protestar.
📝 Fonte: G1/CNN
📸 Reprodução/Internet/Google
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